Autores de longas séries podem errar?

Olá.

Após um longo inverno (na verdade, ainda estamos nele), vou trazendo o blog de volta. Nada pretensioso, apenas textos e sandices que eu gostaria de falar com ninguém específico.

Não levem nada daqui muito a sério. Exceto esse conselho.

Pra hoje, terei spoilers da saga de LIVROS de Guerra dos Tronos. Não leia, se não tiver lido até o quinto volume, Dança dos Dragões.

Muitas vezes eu percebo que nós, fãs, temos o costume de tratar as obras originais praticamente como textos sagrados: livres de falha, não-alteráveis. Perfeitos.

Mas não acredito que seja sempre assim. Seguem os exemplos:

J RR Tolkien disse que Tom Bombadil foi baseado em um boneco que seu filho tinha; mais tarde, Tolkien disse que Bombadil representava a pureza e “invencibilidade” da natureza. Mas não pode-se negar que Tom destoa de todo o resto da história. Elementos e personagens aparentemente sem importância não desaparecem por completo da história, mas nunca mais tivemos sinal ou notícia do druida cantante da floresta ou de sua esposa, Fruta D’Ouro.

Masami Kurumada pode nunca admitir (não vai), mas faz sentido Máscara da Morte, um sádico homicida, ser um dos defensores de Athena? Será que o escopo geral da história não veio até a mente do autor apenas depois que isso aconteceu. Tanto parece ser assim que na saga The Lost Canvas, existe um Máscara da Morte e ele, em um primeiro momento, não é um homicida. Foi “consertado” inclusive o nome Aldebaran, dado ao Cavaleiro vindo do Brasil. Nesta nova saga, fomos informados (aham) que “Aldebaran” é o título que os Cavaleiros de Touro assumem, abandonando seu antigo nome, demonstrando a total dedicação à causa.

E, finalmente, George R.R. Martin.

No primeiro livro vemos um Jaime Lannister cruel e sádico. Que não mede esforços para preservar sua posição ao lado de sua amante e irmã, Cersei, chegando inclusive a tentar assassinar um garoto de apenas nove anos.

Nos livros seguintes, vemos uma evolução gigantesca do personagem. Somos informados que esse “amor” que ele sente pela irmã não passa de manipulação da própria Cersei, enquanto conhecemos um lado oculto de Jaime. O “filho perfeito”, sonho de donzelas e objetivo inalcançável de seu irmão anão, Tyrion, na verdade é capaz de se preocupar com as pessoas, reconhece o valor de guerreiros superiores a si e tem grande admiração pela mente ágil e afiada de seu deformado irmão.

Quando Jaime perde a mão da espada, ele sofre ainda mais alterações. Pois mesmo com tantos problemas, ele ainda era um dos maiores espadachins que existiam. Sua vida era ser um espadachim, era tudo que ele era. Sem essa possibilidade, o que lhe resta?

Sua fama como assassino de reis o impede de ser um nobre, de vir a ser respeitado como um honrado cavaleiro. O Regicida está treinando e sangrando para aprender a lutar com a mão esquerda, mas sabe que nunca será o suficiente. Vendo mais de suas ilusões sobre a vida se desfazerem diante de seus olhos, a ele só resta lutar para mudar esse estigma. Tentar corrigir todos seus erros, lutar para manter suas promessas e ajudar a quem puder.

Um novo homem está caminhando sobre as pernas do Regicida. Um homem nobre e justo. Que ajuda e incentiva seus subalternos, onde o antigo zombaria e diminuiria. Um Cavaleiro, no sentido mais clássico e literário possível.

Mas a tentativa de assassinato a Bran? Nunca mais foi citada. Não por ele, não por Cersei, nem pelo próprio Bran.

Pouco depois, quando Bran precisou fugir, já haviam “pernas” a seu dispor. Hodor, que não parece capaz de tomar decisões sozinho, o carrega nas costas. Obedece a todas as ordens e, atualmente, Bran consegue entrar em sua mente e controlar seu corpo. Bom, se era para o garoto continuar andando, por que não foi apenas um acidente sério, que deixasse cicatrizes e um trauma?

A mim, e essa é apenas minha opinião (sério, não seja um hater idiota), parece que essa foi uma trama que o autor decidiu descontinuar.

Talvez ele tenha visto todo o potencial do personagem Jaime. Talvez ele simplesmente não quisesse lidar com esse assunto em especial. Não que isso tudo tenha passado desapercebido pela história.

Para procurar o agressor de seu filho, a rainha Catelyn viajou à outra ponta do continente, dando início a muitos (MUITOS) acontecimentos com sua busca. O próprio Jaime foi afetado por isso, quando foi libertado do aprisionamento pelo exército dos Stark, sob a condição de encontrar as filhas perdidas de Catelyn e com a promessa de que nunca mais ergueria espadas contra Starks ou Tullys (a família de Catelyn antes do casamento).

Mas Catelyn saiu do reino nessa busca enquanto Bran ainda estava em coma.

Novamente, a meu ver, parece que não havia necessidade do garoto ser paraplégico. Assim como não precisaríamos ver Jaime o atacando. Os pecados antigos do Regicida já seriam pesados o suficiente, juntamente com a forma como se portava, para que fôssemos abalados tão fortemente com essa mudança tão radical de personalidade.

Em tempo, eu sou muito (MUITO) fã da série e essa relação entre os irmãos Jaime e Tyrion me traz sensações muito fortes. Eu fico feliz e triste quando vejo que Jaime admira e gostaria de ter a inteligência de Tyrion e ao mesmo tempo, o anão simplesmente gostaria de ser corajoso e forte como Jaime, sem que nenhum dos dois jamais admita isso. E como, agora que são inimigos, eles se ressentem dessa admiração.

Excelentes livros. Esquece o que eu disse nesse texto.

Martin sabe o que faz.

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